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o encontro

Aninhada na berma do passeio sentia a chuva que caia e lhe escorria pela pele. Queria misturar-se naquele lamacento espaço e desaparecer por entre as pedras da calçada. Tudo terminara minutos antes. Perdera o homem da sua vida, o seu trabalho e o seu sonho. Com os joelhos encostados ao peito ardia num sofrimento infinito. Era o cair da noite e a luz na cidade era parca. As pessoas corriam tentando fugir entre as gotas da chuva e ela deixava-se ali, inerte. Até que um trovão assustou de tal modo um pobre homem que ele tombou em cima dela. Ela suportou o peso daquele corpo com o seu próprio corpo e elevou-o. Ao levantar os olhos ela vê um pobre e sombrio homem, muito aprumado vestia fato e chapéu preto, os óculos molhados pela chuva e uns pingos de chuva a escorrer pelo bigode. - Queira desculpar-me, minha menina. – Dizia enquanto estendia a sua mão para ajudar a levantá-la. Ela correspondeu e ali frente a frente com ele olhou-o nos olhos inquietos. - Permita que lhe ofereça um...

desamor

Andorinhas sem céu para voar, flores sem terra para crescer, Assim sou eu, sem ti para amar Assim vivo eu, sem ti para viver. Se o rio não mais correr para o mar, se o mar não mais espelhar o céu Se tudo isso conseguires imaginar, Assim é o meu coração sem o teu Nesse desamor que me tens Procuro uma centelha de esperança Espero por ti e tu não vens E ainda assim mantenho a minha confiança E ao fim do dia quando te fores deitar, saberás que no meu leito te desejo Para mim é impossível aceitar Que não tenhas para mim nem um beijo. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay

reencontro

O ra deixa cá ver… Não sabia que aquela vinha… como está diferente. Os olhos esfumados, as pernas tortas e gorda como nunca a vi. Aquele está velho como a terra, careca e de bigode arrebitado. As pessoas são mesmo sem noção. Deixa-me ficar aqui sossegado a beber o meu copo de vinho enquanto reparo em mais uns quantos artolas que por aqui estão… Adoro estes reencontros de escola. Ah… aquela sim, parece-me bem. Muito melhor do que o que estava no secundário. Envelhecer fez-lhe bem, ou então foi o divórcio. Sempre ouvi dizer que faz bem às mulheres. Aqui está a prova. Subiu a saia e baixou o decote. Disto eu gosto. Boazona. Oh! O que é que me caiu na cabeça, não acredito!! Que porcaria é esta? Agora molhou-me o cabelo, raiz parta, ainda vai ficar verde como da outra vez. Deixa-me lá sair de mansinho, antes que esta nojeira se note. - Olé!! Olha o Aníbal também cá está? Não me digas que já vais embora? Mas o que raio quer este palerma agora? - Não… vou só ali fumar um cigarro. ...