Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta crónica dos dias

O Tesouro

  Inspirei,  enchendo-me de coragem. Abri a caixa. Um cheiro a bafiento ocupou todo o espaço entranhando-se na minha pele, penetrou até ao âmago da minha existência. Uns papeis envelhecidos pelo tem, dobrados pelas tuas mãos frágeis, que afastei quase sem lhes tocar. E no fundo, ei-lo. Um dourado baço, um brilhante ausente, uma pedra preta, um coração inteiro estilhaçado pela tua partida. Lá dentro o teu segredo mais bem guardado. Como num cofre. Tremiam-me as mãos, o corpo gelado e a alma ausente. A saudade pendia pelo meu rosto num pranto estranhamente contido. Peguei no medalhão e senti o teu cheiro, o teu calor, o teu toque suave e engelhado a acariciar-me o rosto. Sorri.  Apertei-o com força contra o peito, como se o pudesse integrar no meu próprio coração, na minha vida, na minha essência. Queria perdurar aquele instante, adiando o encontro que temia. Não sei se era entusiasmo, não sei se era medo. Mas abri o coração. Olhando fixamente com admiração. Deixaste-me o t...

Vai ficar tudo bem?

Na mesa da cozinha pintavam o arco-íris numa folha de papel, mãe e filha, toda a família ali. A menina de 4 anos, concentrada mostrava amorosamente a língua que escapava por entre a sua boca sorridente que deixava antever a confiança que não conseguia conter. A mãe enchia os olhos de lágrimas a cada rabisco dos lápis de cor e lia sem parar o mote “vai ficar tudo bem” e o seu coração estilhaçava com cada palavra. O emprego por um fio, a filha para cuidar, a renda para pagar e as contas que não paravam de chegar, a despensa a ficar vazia e a alma a perder as forças, a perder a fé. Pintava sem ver até que foi chamada à atenção pela filha: - Mãe, estás a pintar fora das linhas… Vá lá, tem de ficar perfeito. Nesta imperfeição da vida, neste assalto, via pela janela grupos de pessoas que se passeavam, alheios ao que dentro de portas se estremecia. Era medo que sentia, como nunca antes. Sabia que não estava, nem iria ficar, tudo bem. Nas janelas da vizinhança o mesmo lema “Vai ficar ...

Cresce-me a vida

Cresce-me o corpo na proporção em que me cresce a vida. A vida que cresce é vida que também é minha embora não a possa viver. É um milagre que quase esquecemos na névoa dos dias. Ainda há milagres tão grandes capazes de nos fazerem acreditar, mas, insensíveis, não somos capazes de os sentir. Cresce-me o corpo com um corpo amado que vem dar novo sentido. E voltamos a sonhar, a superar os nossos anseios, a acreditar, a viver com mais sentido. E um ser indefesa torna-se na nossa maior força, o nosso alento. Cresce-me a alma e o coração a palpitar no peito. Cresce-me o corpo e cresce-me a vida e aos que me dizem “que grande que está a tua barriga” respondo com um sorriso, e no meu silêncio penso “imagina como está o meu coração”

Sobre a felicidade

Feliz o que tem esperança, porque sabe que alcançará, confiando no tempo para que traga o tempo certo e nas suas pernas para que percorram o correto caminho e nas suas mãos para doar os preciosos dons. Feliz o que acredita porque confia-se por inteiro e deixa-se alcançar pelas graças da vida que sabe serem para si e que dão fôlego ao seu firme caminhar. Feliz o que tem fé porque nunca está só. Sobe às montanhas mais altas por caminhos escarpados e alcança as mais belas paisagens. Sabe-se inteiro e abre os seus olhos, ouvidos e coração ao sol que o rodeia e à leve brisa que refresca a sua pele. Feliz o que vive com esperança, acreditando sempre na força da sua fé. ---- Texto: Susana Silva

Liberdade

A liberdade é ser fiel, é ter valores que condicionam, é ser-se inteiro sem se deixar corromper.  Liberdade é ter esperança e ser obreiro enquanto os pés caminham.  É sentir o primeiro raio de sol da manhã, água fresca no rosto e nostalgia ao final da tarde.  É sentir saudade com sorriso no rosto.  É dizer apenas o que vale a pena ser dito, para o melhor do outro.  É enaltecer, parabenizar e agradecer a quem o merece e corrigir com parcimónia aqueles que precisam.  É dar espaço é dar vida.  É dar a mão e ser colo.  É afastar-se e chorar.  É abraçar e comover-se.  Ser livre não é fazer, é ser.  Como a gaivota que voa lá no alto, respeitar os peixes que nadam em mar aberto ou a chita que corre em chão firme.  É amar-se e respeitar-se, amando e respeitando cada um dos outros.  Liberdade não é um estado de espírito, é um modo de vida, de quem se sente e faz feliz a cada dia, com cada pequena coisa....

Tropeções

Às vezes segues andando no teu caminho quando um estranho alinhamento cósmico conspira esmagando-te e deixando-te como um farrapo velho na berma da estrada, sem esperança, sem força e preenchido de dor e sofrimento na incerteza do agora. Abalroado por todos os lados, sentes o vento que te atira contra as paredes e a chuva que te enregela a pele. Agarrado a uma centelha de esperança, vês um pequeno raio de sol que desponta e traz alguma luminosidade à noite em que te encontras. Quase temes acreditar. Mas uma chama arde dentro de ti, sem nunca se apagar, permitindo-te construíres-te a partir de dentro. Essa fé que te alimenta a alma, busca no amor que tens a força para te ergueres desse chão lamacento e olhar para o raio de sol que ainda te parece uma ilusão. Fechas os olhos e permites-te beber nas fontes da esperança, voltando a acreditar, que é tudo o que te resta, e tudo o que precisas. E por entre a chuva tempestuosa o céu azul vai aparecendo e, lá atrás, o sol brilhará, quase t...

dia da mulher

Tatiana liga para o restaurante, o mesmo onde jantou no dia 14 de fevereiro com o namorado, a confirmar o número total de pessoas. - São 9 pessoas. E já agora posso já reservar mesa para três para o dia do pai? Era já hora de sair do trabalho e Tatiana segue para o cabeleireiro onde tinha já marcação. Aproveitou para retocar as unhas e foi para casa para se arranjar, gostava de ser uma boa anfitriã e, por isso, queria ser a primeira a chegar ao restaurante. Vestiu um vestido justo  em lantejoulas num degradé de tons rosa que comprara especificamente para a ocasião.  Maquilhou-se e olhou-se ao espelho poderosa, pronta para comemorar o dia da mulher. Foi, como era o seu desejo, a primeira a chegar ao restaurante e conduzida à sua mesa, no meio de tanta outras. Rapidamente pode partilhar o seu entusiasmo com a chegada da Luísa. Logo depois chegaram a Ana, a Júlia e a Vera juntando-se-lhes a Marta e a Célia. Ficavam a faltar a Telma e Raquel. Sentaram-se à mesa na expec...

Assim são os sonhos

Como a semente enterrada na terra assim são os sonhos abandonados. Esperam a chuva que lhes amoleça o tegumento e o sol que os faça brotar. Encerram em si todas as capacidades do mundo e a verdade de quem os possui. Até o mais pequeno sonho é capaz de romper montanhas, tal como a erva que cresce no seio da rocha e lá, onde mais nenhuma se atreveu, brota de vida e prepara caminho para novas vidas. A grandiosidade da concretização não se pode medir pelo tamanho da semente. Todos temos sonhos grão de mostarda que, se lhes permitirmos nascer e fizermos crescer, serão árvores grandiosas à sombra das quais acolheremos comovidos a brisa da vida. Tal como a vida encontra sempre o seu caminho, os sonhos encontram sempre a sua vida, aquela que se faz caminho. Acredita disponível. Espera com fé. Faz acontecer o sonho. ------ Texto- Susana Silva Imagem- Pixabay

O tempo

O tempo. Esse é o maior culpado. Diz que não existe, que ninguém o tem, quando todos o possuem e  marcam. Dizia a vizinha de ao pé da fonte que a Micas esqueceu o abraço porque não teve tempo, morreu assim a avó, sem abraço quando o seu tempo acabou. O tempo passa em passos desconcertantes com a nossa vontade. Não se pode parar, mas acelera quando não o queremos afrouxar. E neste passo de corrida grava-nos na memória aquilo que de melhor o tempo deixou. O tempo que estive contigo.  Insatisfeitos com o tempo gritamos para que volte para trás e rogamos para que ande para a frente. Descontentes com o tempo que temos no agora. Oh tempo desgraçado, que fazes as palavras não saírem e prendes os braços para os abraços, amarras pernas para não irem e mãos para não fazerem, cerras os lábios para não sorrirem e franzes as sobrancelhas para não te perceberem. Tens costas largas, ó tempo. E na noite escura em que não falta o tempo, descobrimos que sempre tivemos o tempo necessário, ma...

Não é coragem é amor

Ela seguia de olhos fechados e sorriso no rosto espelhando uma imensa gratidão por aquilo que para os outros era mais um problema e para ela era só amor. Aprendera a jogar as fichas todas na vida. Ainda pestanejava, duvidava, fraquejava, mas apostava e confiava. Entregava-se de olhos fechados aquilo que a vida lhe tinha trazido desde que viesse por amor. Sabia que era a única coisa que lhe restava. Ao longo da vida colecionara um emprego que não o era e um saco de desilusões, guardava uma mão cheia de sonhos e a outra de parcos amigos que tudo lhe valiam. Aprendera a correr atrás dos sonhos até que lhe faltasse o ar e a deixar ir tudo o que exigisse umas  corridas desenfreadas sem sentido. Se tivesse que correr que fosse por amor. Resolvia o turbilhão da vida no silêncio, muitas vezes solitário, com serenidade e lágrimas à mistura. Orava e os pequenos grandes milagres aconteciam, nem sempre à sua maneira, mas à maneira da vida em quem aprendera a confiar em vez de exigir. Aos que...

Recomeçar do abismo

Jorram lágrimas secas dos teus olhos e os teus ossos rangem quando te encolhes desejando voltar ao ventre de tua mãe. O teu chão desapareceu e tu levitas numa vida que já não é a tua temendo o recomeçar que se impõem. Os dias são tempos infinitos e durante a noite, nos teus sonhos, vives a felicidade que perdeste, mas o raiar do dia traz a certeza de que o sonho se sumiu e a tua vida não pode voltar. Nesta lentidão dos dias arrastas o teu corpo rastejando pelo chão cheio de pedras angulosas que te dilaceram a carne e mesmo os que te tentam levantar, tantas vezes, rasgam o que resta da tua alma. Desejas que a alma te fuja do corpo mas uma força maior fá-la ficar. Não tens força, não tens esperança, não sabes como será, mas o que importa? Tudo sabias, tudo projetaste num destino que a vida não de te deu. Tudo pensaste e esse projeto dói-te agora, de perdido, não esquecido. Recomeçar é o único projeto que tens, mas sem início torna-se quase impossível saber que estrada seguir, sa...

Caminhos da vida

A montanha é demasiado alta, o trilho estreito e acidentado. – Vai tudo correr bem. – grita alguém da berma. Mas sinto fome e sede e as forças abandonam-me nesta dita sorte. Arrastando-me subo, vou alimentando-me das raízes e folhas secas que encontro, bebo do orvalho da madrugada. Uma leve brisa empurra-me em direção ao alto e eu só posso acreditar que consigo. Os abutres sobrevoam-me na ânsia de que lhes sirva de refeição, embora desconheçam esta força que não me deixará abater. Bem perto do cume da enorme serra, ouço palmas e gritos de incentivo daqueles que me alimentaram com o seu amor e o silêncio dos outros. Num passo quase de êxtase chego ao pináculo e sou invadida por uma enorme felicidade que toma conta de todo o meu ser e de toda a minha vida, recordo cada sofrimento, cada queda, cada pequena alegria, cada sucesso… mas… algo estranho… Por detrás da montanha que acabei de escalar a vida apresenta-me outra, ainda maior que a primeira. De onde estou não consigo ver...

Loucura boa

- Era um café por favor… - Com certeza… - Só mais uma coisa, por favor, pode olhar para mim? A senhora olhou para mim com ar quem me ia esmurrar e incrustar a minha barba pente dois no interior da minha pele. - E… é só!! - acrescentei, com um sorriso que, convenhamos estava mesmo a pedi-las. Enquanto a senhora foi dentro do centenário estabelecimento, levantei-me num salto e convidei o mimo que fazia de estátua, mesmo à frente da esplanada para se sentar comigo na mesa. Ele relutante, mas suficientemente louco, aceitou, mesmo a tempo da chegada do meu café. - São três euros, por favor. Respondeu-me a senhora olhando-me nos olhos e sorrindo. Eu estagnei surpreendido pelo preço do café. À minha indignação a senhora respondeu prontamente: - É 1€ pelo café e 2€ por olhar para si, hoje estamos com promoção e o sorriso é grátis. Soltei uma gargalhada pela resposta à altura. E acrescentei: - Então traga-me mais dois cafés e duas natas, é para este meu amigo ...

A dança

A música fazia-se ouvir por entre a porta entreaberta. Uma melodia de bailarico misturada com risadas e gritinhos. Ele, sentado no seu cadeirão olhou-a com amor. Ela dormitava, deitada naquela cama de sempre, alheia a tudo. Pela frecha da porta a luz amarela que entrava era interrompida por sombras humanas das pessoas que passavam naquele corredor com passos apressados. Ele esticou-se para tocar na mão da sua amada, mas quase que caia do cadeirão, pelo que depois de um suspirou, recostou-se contentando-se com a visão perfeita que acolhia nos seus olhos. Sabia que por detrás daquelas pálpebras cerradas, uns olhos azuis cheios de vida emanavam a felicidade de uma vida que parecia jazer naquele inerte corpo. Ela parecia sentir-lhe os pensamentos porque sorria, marcando ainda mais a sua cara engelhada pela vida. Tantas engelhas felizes e até a cicatriz da testa, feita pelo filho António que, com os seus três anos, pegou num copo e partiu-o mesmo no meio da testa da mãe. Que aflição q...

Dói

O que dói? Dói a pele de onde não consigo sair para ir em busca de mim mesmo. Dói o sentido inverso da vida que não encontra a sua direção. Dói o tempo que não para e não sara. Dói a ausência de mim mesmo. Escondido por entre a luz do dia faço noite em tudo o que toco, em tudo o que sinto. Do sol faço noite e da alegria a tristeza. Os meus dias são inúteis e as minhas mãos paradas e vazias, os meus pés teimam em não andar e os meus olhos ainda conseguem ver mas sem entender. Dói-me o tempo que ocupo com a vida vã e que gasto e desgasto em desamor. Dói este mar de saudade daquilo que nunca fui e dos sonhos que não persegui e que continuo, no meu silêncio, a negar. Construo castelos de um dissipado nevoeiro que envolve todo o meu ser e nele esconde a essência do que me tornei. Sei-o de cor. Sei-o, e dói-me sabê-lo. E nesta inércia continuo a procrastinar com desculpas estéreis e escusadas que ninguém quer ouvir. A ignorância nos outros olhos, a indiferença nas outras p...

Se o teu abraço

E se o teu abraço não for suficiente? Se não me agarrar à vida toda em toda a vida, nem que seja por um só segundo. Se for um abraço, sem braços fortes que sustentam com leveza a dura vida.   Se o teu abraço não acontecer naquele instante que muda o mundo e que tudo faz sobrevir.   Se o abraço não tiver o sentido que me faz sentir. Se não for um abraço íntimo de quem não se intromete, mas faz ser e crescer.   Então baixa os braços, não abraces, vira as costas e vai antes que adore esse teu braço e perca tempo nesse tempo de abraço. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay

o encontro

Aninhada na berma do passeio sentia a chuva que caia e lhe escorria pela pele. Queria misturar-se naquele lamacento espaço e desaparecer por entre as pedras da calçada. Tudo terminara minutos antes. Perdera o homem da sua vida, o seu trabalho e o seu sonho. Com os joelhos encostados ao peito ardia num sofrimento infinito. Era o cair da noite e a luz na cidade era parca. As pessoas corriam tentando fugir entre as gotas da chuva e ela deixava-se ali, inerte. Até que um trovão assustou de tal modo um pobre homem que ele tombou em cima dela. Ela suportou o peso daquele corpo com o seu próprio corpo e elevou-o. Ao levantar os olhos ela vê um pobre e sombrio homem, muito aprumado vestia fato e chapéu preto, os óculos molhados pela chuva e uns pingos de chuva a escorrer pelo bigode. - Queira desculpar-me, minha menina. – Dizia enquanto estendia a sua mão para ajudar a levantá-la. Ela correspondeu e ali frente a frente com ele olhou-o nos olhos inquietos. - Permita que lhe ofereça um...

Histórias de mães

São seis da manhã quando o despertador toca. Quase nem consigo abrir os olhos, mas a esforço levanto-me da cama. Aqueço uma chávena de café com leite e faço uma torrada, que vou comendo enquanto estendo a roupa que a máquina acabou de lavar. Aqueço o meu almoço e coloco-o na marmita. Aqueço o leite para os miúdos e uma malga de cereais, corto um kiwi em pedaços e acrescento uns frutos secos. Sinto frio. Vou ao quarto dos meninos, acordo primeiro o mais velho, sussurrando-lhe ao ouvido: - Pedro está na hora. Bom dia. Dou-lhe um beijo, destapo-o, estimulando aquele lento despertar. Quando volta da casa de banho já tem a roupa em cima da cama e começa a vestir-se. - Joãozinho, vamos lá meu amor. Pego no mais novo ao colo, sem que ele abra os olhos. Tiro-lhe a fralda que está sequinha e fico muito orgulhosa do meu menino que está a crescer. Visto-o enquanto ele choraminga e levo-os finalmente para a cozinha. - Hoje preparei cereais. Vamos comer rapidamente para não nos ...

No dia mais sofrido da tua vida sonha

No dia mais sofrido da tua vida sonha. Sonha alto. Muito alto. Tens asas enormes e a pequena ilha não é para ti. Nasceste para conquistar um pedaço de terra só teu, em que podes ser tu, com tantos outros. Agarra nessas asas e voa alto, tão alto como o teu sonho. E deixa-te dessa ideia paralisante de que “quanto maior o sonho maior a queda”. Vai, sonha alto, porque quanto mais alto o sonho maior a tua força para lutar por ele. Vai, levanta voo e grita bem alto, o mais que conseguires, precisas de sentir a força que tens em ti. Voa sem medo do que virá. Sem medo do medo que eventualmente sentirás. Esse dar-te-á o tempo que precisas. Mas não permitas que te paralise. Permite-o apenas o tempo favorável. E quando em pleno voo vierem trovoadas e tempestades, aninha-te numa gruta próxima, conforta-te, mistura as tuas lágrimas com as gotas da chuva. Mas, logo pela manhã solheira, rasga novamente os céus. Leva na algibeira apenas o e os essenciais.   O (e os) que te pesarem pelo...

Admiro

Gosto da força, da serenidade de um olhar, de um gesto singelo. Admiro a gratidão, as palmas de um ou de uma nação.  Respeito quem se ergue levanta os braços e estende as mãos.  Honro quem teme, mas tem em si a coragem e a fé.  Enobreço quem chora pela solidão do outro, e vê-se só no meio da multidão.  Admiro quem vê e sente o que os olhos querem dizer e a alma gritar ao mundo.  Admiro a voz forte que se faz ouvir no meio dos murmúrios chorosos.  Admiro quem se emociona com os feitos dos outros, quem chora de alegria e marca no seu rosto as rugas mais bonitas, as rugas da vida. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay