Lembro-me quanto tu vieste para o teu lugar, o nosso lar.
Eu não dormia há uma semana. Naquela noite ficara sentada no chão daquele que iria ser o teu quarto, todo prontinho para te receber. O pai passou a noite na sala, também não
conseguiu dormir. Deveríamos sair às 8h de casa, mas às 7 estávamos os dois prontos. Em silêncio, porque o nosso coração estava tão esperançoso como angustiado, tão feliz como
amedrontado.
Estacionamos em frente à instituição e ali ficámos mudos num tempo de relógio parado, num tempo demasiado demorado. À hora marcada estávamos de pé, com a mão na campainha, imóveis num corpo que formigava por dentro. Já te conhecíamos bem e tu a nós. Mas aquele era o primeiro dia do resto das nossas vidas. Entrámos e sentamo-nos num sofá verde que ficava na entrada enquanto acabam de te preparar.
Logo ouvimos os teus passos, a correr, por aquele corredor, especialmente longo naquele dia.
Sorriso rasgado, olhos brilhantes e braços estendidos correste para mim num abraço que
acolhi sem conter a emoção.
– É hoje que já te posso chamar mãe? – Inquiriste-me do alto dos teus quatro anos.
E eu do fundo dos meus trinta respondi-te com lágrimas.
– Estás a chorar feliz? – Perguntaste-me com preocupação
– Estou meu amor. Estou a chorar feliz. Gosto muito de ti, muito, muito.
O pai enlaçava-nos com os seus braços fortes. A felicidade nascia ali, naquele chão de madeira velha, construímos a fortaleza mais bonita e perfeita que vivemos até hoje.
Lembro-me bem meu amor. Quiseste vestir a camisola amarela que te tinha dado. E eu vesti-me da felicidade que trouxeste a cada momento. Cada queda, lembro-me bem, cada desilusão, chorei contigo, cada alegria fez-me finalmente viver. E é tão bom viver. Amo-te muito meu filho. Como naquele dia, mas cada vez mais.
----
Texto: Susana Silva (para o blog páginas partilhadas)
Imagem: pixabay
Eu não dormia há uma semana. Naquela noite ficara sentada no chão daquele que iria ser o teu quarto, todo prontinho para te receber. O pai passou a noite na sala, também não
conseguiu dormir. Deveríamos sair às 8h de casa, mas às 7 estávamos os dois prontos. Em silêncio, porque o nosso coração estava tão esperançoso como angustiado, tão feliz como
amedrontado.
Estacionamos em frente à instituição e ali ficámos mudos num tempo de relógio parado, num tempo demasiado demorado. À hora marcada estávamos de pé, com a mão na campainha, imóveis num corpo que formigava por dentro. Já te conhecíamos bem e tu a nós. Mas aquele era o primeiro dia do resto das nossas vidas. Entrámos e sentamo-nos num sofá verde que ficava na entrada enquanto acabam de te preparar.
Logo ouvimos os teus passos, a correr, por aquele corredor, especialmente longo naquele dia.
Sorriso rasgado, olhos brilhantes e braços estendidos correste para mim num abraço que
acolhi sem conter a emoção.
– É hoje que já te posso chamar mãe? – Inquiriste-me do alto dos teus quatro anos.
E eu do fundo dos meus trinta respondi-te com lágrimas.
– Estás a chorar feliz? – Perguntaste-me com preocupação
– Estou meu amor. Estou a chorar feliz. Gosto muito de ti, muito, muito.
O pai enlaçava-nos com os seus braços fortes. A felicidade nascia ali, naquele chão de madeira velha, construímos a fortaleza mais bonita e perfeita que vivemos até hoje.
Lembro-me bem meu amor. Quiseste vestir a camisola amarela que te tinha dado. E eu vesti-me da felicidade que trouxeste a cada momento. Cada queda, lembro-me bem, cada desilusão, chorei contigo, cada alegria fez-me finalmente viver. E é tão bom viver. Amo-te muito meu filho. Como naquele dia, mas cada vez mais.
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Texto: Susana Silva (para o blog páginas partilhadas)
Imagem: pixabay

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