Querida mãe , sou a menina do mar , de sobrenome lusíadas , cresço ainda em teu ventre . Conheço o caminho imperfeito do teu amor de perdição , quando sentada comias cebola crua com sal e broa e lá do alto gritavam : – Quem meteu a mão na caixa ? – Tu aninhavas-te naquele labirinto de saudade tentando esquecer os jogos de raiva que se viravam contra ti, era a selva . No teu deserto sova o cântico do Homem e, naquela aparição , o sermão do fogo relembrava-te o auto da barca do inferno em que fizeste a viagem sob a embarcação do Anjo Negro de onde se clamava o Sermão de Santo António aos peixes , neste mundo cão como nós . Dá-me um ano para mudar a tua vida , ensina-me a voar pelos telhados , dá de ti, nada menos que tudo . O sal da língua destravada grita uma mensagem do povo que no ensaio sobre a cegueir a descobre a fórmula de Deus . Esses, os memoráveis , acreditam que não há coincidências . Já eu, só sei que prometo amar , até que um dia hei-de amar uma pedra e assi...