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A humanidade ameaça perder (novamente) a sua humanidade

Em tempos de pandemia a humanidade mantém-se igual a si própria, enquanto uns cuidam e revestem de generosidade os seus dias outros destilam o preconceito e incentivam o que de pior a humanidade tem. Recentemente André Ventura atiçou a fogueira do racismo, com o seu discurso populista e ignóbil que quase já não surpreende, mas rapidamente a discussão alastrou para as redes sociais e até para alguns meios de comunicação social. Não comentei nenhuma discussão das dezenas que vi nas redes sociais, porque quanto a mim não há discussão e antes que me digam que todos têm direito à sua opinião, deixem-me lembrar que, também, todos têm direito ao respeito. Mas as ideias desprezíveis e fraturantes são assustadoras. Rapidamente quem apregoa o racismo é o mais justo e aquele que defende a igualdade é o mais ignorante, porque nem deu nada para a escola e é só um jogador de futebol. E acrescentamos preconceito ao preconceito. E assim, de forma quase insciente, vociferamos uns contra os ou...

Porquê o Covi-19?

Na nossa incessante busca de justificações questionamos porquê isto? Porquê agora? Porquê? E na nossa desenfreada demanda de respostas vamos atirando pedras para o charco dizendo que foi a vontade de Deus, que o Universo está a castigar-nos e que a Terra precisava de descansar. E vamos reconhecendo os nossos erros como a criança que tenta perceber o seu castigo depois do prejuízo causado. Mas talvez não existam explicações tão filosóficas, talvez seja assim só porque sim. Sim, que o porque sim, pode ser resposta de vez em quando todos o sabemos. O problema é que sempre estivemos habituados ao controlo de tudo e de todos e de repente não conseguimos controlar a situação, as vidas fogem-nos entre os dedos e as opções para as salvar também. Mas nós somos só mais um elemento da natureza e se percebessemos isso facilmente entenderíamos o porquê. Somos as gerações que criam e destroem a gosto, que escolhem, que vivem em liberdade. Deixámos de ter predadores e somos o topo de uma teia ali...

E assim vamos andando

E assim vamos andando. Nem bem nem mal. Criticamos a vizinha que engordou 3 kg e a outra que emagreceu e está esquelética, Aquela que só tem um filho e a que comete a loucura de ter três, O que é rico porque é ganancioso e o pobre pois é malandro, O que comprou um T2 e o que comprou uma mansão que nem vai ter como pagar, A que se maquilha e a que anda sempre de cara lavada, que tristeza, A que compra muita roupa e leva o orçamento à ruína e a sovina que anda sempre com a mesma fatiota, A que ficou em casa a tomar conta dos pais e a que os vai buscar ao fim de semana ao lar, Os que casaram pela igreja, que coisa démodé, e os que se casam pelo civil, para quê o papel? Criticamos o programa da Cristina, do Goucha e os telejornais, os programas da tarde e os do fim de semana, as telenovelas, que miséria criativa, O Conan e os tontos que nele votaram, o bailarino que não dança nada, bem sabemos, todos andamos no conservatório. Professores e enfermeiros, os que lutam e os que n...