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No dia mais sofrido da tua vida sonha

No dia mais sofrido da tua vida sonha. Sonha alto. Muito alto. Tens asas enormes e a pequena ilha não é para ti. Nasceste para conquistar um pedaço de terra só teu, em que podes ser tu, com tantos outros. Agarra nessas asas e voa alto, tão alto como o teu sonho. E deixa-te dessa ideia paralisante de que “quanto maior o sonho maior a queda”. Vai, sonha alto, porque quanto mais alto o sonho maior a tua força para lutar por ele. Vai, levanta voo e grita bem alto, o mais que conseguires, precisas de sentir a força que tens em ti. Voa sem medo do que virá. Sem medo do medo que eventualmente sentirás. Esse dar-te-á o tempo que precisas. Mas não permitas que te paralise. Permite-o apenas o tempo favorável. E quando em pleno voo vierem trovoadas e tempestades, aninha-te numa gruta próxima, conforta-te, mistura as tuas lágrimas com as gotas da chuva. Mas, logo pela manhã solheira, rasga novamente os céus. Leva na algibeira apenas o e os essenciais.   O (e os) que te pesarem pelo...

Admiro

Gosto da força, da serenidade de um olhar, de um gesto singelo. Admiro a gratidão, as palmas de um ou de uma nação.  Respeito quem se ergue levanta os braços e estende as mãos.  Honro quem teme, mas tem em si a coragem e a fé.  Enobreço quem chora pela solidão do outro, e vê-se só no meio da multidão.  Admiro quem vê e sente o que os olhos querem dizer e a alma gritar ao mundo.  Admiro a voz forte que se faz ouvir no meio dos murmúrios chorosos.  Admiro quem se emociona com os feitos dos outros, quem chora de alegria e marca no seu rosto as rugas mais bonitas, as rugas da vida. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay

Estás mal muda-te

Se não te faz feliz, então não é para ti. Estás mal muda-te. Não esperes que os outros o façam por ti. Na algibeira apenas o que te aquece o coração, numa mão leva força na outra fé, os dois braços livres para abraçar. Maquilha-te com um sorriso sincero e sorri sem medo. Leva lágrimas nos olhos e emociona-te sem temor. Mantém as pernas fortes, sem fraquejar. Mas ainda assim leva um banquinho de confiança para te sentares quando se sentires mais cansado e o resto… bem, o resto um chocolate resolve. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pngtree

dois sentidos

Está escuro. Sinto um imenso medo dentro de mim… O corpo paralisado bloqueia-me a alma. As feridas fecharam, mas ficaram as cicatrizes. São aquilo que fui, são menos do que sou. Agora, afastando-me dos meus caminhos Fecho-me neste casulo Metamorfoseando-me, neste silêncio que se faz. Enquanto ouço a canção de embalar Abro as asas, pesarosas e... Lanço-me ao vento, num voo desconhecido. Vejo-te ao longe e… Ainda sonho alcançar-te. És meu. És o meu amor. Encontro-te e encontro-me. Entrego-me sem demora Ao sentir o teu doce beijo. Aquece-me o corpo, imortaliza-me a alma Sinto a ousadia dentro de mim. Faz-se luz. Instruções : ler de cima para baixo e/ou no sentido oposto - --- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay

Então é amor...

Se te faz estremecer Se te faz sorrir Se te faz melhor Se te faz querer Se te faz fazer Se te faz ser.   Então é amor. Se consegue dar brilho aos teus dias Se chora contigo as tuas lágrimas Se ri das tuas gargalhadas Se corre por ti Se para por ti Então é amor. Se te faz sonhar Se te faz lutar se te faz acreditar Então é amor. E se não for amor para a vida toda que seja a vida toda para o amor. ----- Texto: Susana Silva Imagem: pixabay

Para a vida toda

Quando chegaste abriste a porta. Fazia frio. Sabes que às vezes ainda se faz frio? Mas aqui ficou mais quente. Correste as cortinas, abriste as janelas e tudo ficou mais quente. Sim, eu lembro-me que era um dia frio, como eu. Aliás, era um dia gelado. Como eu. Mas ficou mais quente… ficou como eu. Quando tu chegaste nada me disseste. Sorriste e entraste. Não, não estou a falar da porta. Chegaste à minha vida, que não tinha portas, nem janelas, pensava eu, apenas um muro a cercá-la. Ainda assim, tu entraste e chegaste. Quando tu chegaste deste-me um abraço. Oh, não te lembras?!? Abraçaste toda a minha existência, abraçaste a minha energia, abraçaste o meu mundo. Haverá melhor forma de chegar à vida de alguém do que a dar um abraço? Poderias ter entrado na minha vida, sem nunca lá ter chegado. Mas chegaste e como tal, permaneceste. Deste entrada e conseguiste atingir-me certeiramente. Alcançaste todo o meu ser. Ao chegar permaneces neste prolongamento de mim, tocaste-me com a l...

Obrigado

É dia internacional do obrigado. Fiquei impressionada por tal. Desconhecia. Mas fiquei a pensar no assunto. Sim, há muitos obrigados a dizer. Pensei no assunto enquanto lia, no facebook, o obrigado emocionado da A à família, escrito enquanto os seus pais viam a telenovela, sós, em casa, aguardando o telefonema da filha, que nesse dia não chegou. Pensei no assunto enquanto lia o comentário comovente do B aos amigos, escrito enquanto a mulher acabava de arrumar a cozinha, estender a roupa, vestir os miúdos e adormecê-los, e o B lá continuava em agradecimentos, nomeadamente à família, mas a sua boca não os poderia proferir, não naquele dia em que o seu orgulho toldava a vontade de dizer obrigado. Dizemos muitas vezes obrigado, há até duas expressões bem portuguesas que incluem tal palavra: o “obrigadinho”, que é como quem diz, “podias ter-me dito” e o “olha! obrigada!” que, com a devida entoação significa “não precisavas de ter dito, eu já sabia”. Depois dizemos obrigada, o verdadei...

Sorri

Sorri!!! Como se o mundo dependesse disso, sorri. Como uma criança feliz, indiferente aos pensamentos dos outros que concentra toda a sua energia num sorriso, sorri. Vê as aves do céu voarem em novos sentidos, as encherem-se de novas areias. vê os meus olhos nos teus que sorriem, como o teu rosto e todo o teu corpo. Ensinas-me a sorrir assim? Sinto-me tão parva, acho que toda a gente está a olhar para mim enquanto caminho nesta rua. Sim, minha senhora estou feliz, não consigo tirar este sorriso da cara. E as vossas, tristes, que me olham de soslaio e incrédulas, pela ousadia de sorrir num dia cinzento, passam e apenas adensam a minha vontade de sorrir. Vejam, sobre mim já não chove, as trevas abriram-se em tréguas que se deixam trespassar por um fina luz. Não está a ver?? Olhe bem, sim chegue aqui. Isso… já consegue ver? Claro que sim, vejo o seu sorriso. Agora continue neste longo passeio e leve a luz que cintila sobre si, nesse sorriso para o mundo. Se todos sorrirmos as...

Beijo

Que perene esse teu beijo. Ajustado entre os sorrisos contidos e as faces coradas beijas-me em fuga, como se algo te pudesse prender para não mais te largar. Como tens razão, como anseio ter-te em meus braços entrelaçados, encontrados. Os sons da rua parecem a todos distrair, mas não a mim, nem a ti, que o vejo no brilho do teu olhar escondido, nos teus lábios intensos e no rubor da tua pele. Toco-te na mão, com  a minha, muito ao de leve e sinto que sentes o mesmo arrepio que ascende pelo meu corpo e não se dissipa no ar, quente… ou talvez frio, nem sei precisar. A tua mão estava gelada, e petrificada ficou na ânsia de um novo toque. E eu não te fiz esperar, amparei-te a mão. Nos dias seguintes amparei-te o rosto nos beijos em que me dava. Que perene esse teu beijo, que ainda agora se afastou de mim, e como uma onda te fez aproximar novamente. Beijo-te… ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixbay

sobre o primeiro amor

A bola corria lentamente pelas pedras da calçada, deformada pela sua própria natureza. Uns pezitos descalços seguiam no seu encalço. Os calções muito curtos deixavam a descoberto os joelhos marcados. À paragem da bola um momento de concentração que travou as gargalhadas que o antecedera. O calcanhar eleva-se ligeiramente, para dar o balanço necessário à força que tinha que ser exercida no pontapear daquela bola. Ia na velocidade máxima, quase uma velocidade cruzeiro que teria feito chegar a bola às estrelas e, no seu regresso, trazer o brilho infinito nos olhos daquela menina que, parada junto à beira da estrada, sorria para mim, na ânsia da minha conquista. Mas aquele piso enviesado colocou-se à frente do meu pé. Não sei se senti mais dor ou vergonha. A bola jazia no mesmo local, nem o vento a tinha feito mover-se. Eu caído no chão chorava agarrado ao meu dedo do pé. A menina, com as mãos na boca, correu a chamar a minha mãe. Gritava eu e gritava ela. Vês este dedo sem unha? Foi ...

Sonhos

Há sonhos que valem a pena. Qual? O teu, o teu e o teu. Sim, os sonhos valem a pena. Dão-nos alento, força e coragem. Também nos fazem sentir frágeis e inseguros. Mas é mesmo assim. Todos temos sonhos, mesmo que não os contemos a ninguém, mesmo que não o saibamos bem, mas todos temos sonhos. Na forma mais bonita diz-se que “o sonho comanda a vida”, mas a verdade é que na maior parte dos casos é a vida que comanda os sonhos e que os vai moldando, para que melhor se ajustem à nossa vida. As obras nascem dos sonhos, as pessoas também. Mesmo aquelas que já existem na terra dos vivos podem nascer, podem renascer, tudo por um sonho. Depois há os sonhos que temos que deixar partir, carregados com a desilusão e com as batalhas perdidas. Não, não é cobardia, nem sinal de fraqueza. Desistir de um sonho é, não raras vezes, sinal de inteligência. É duro e difícil. Não sei se será mais duro desistir do que continuar a lutar. Como o restolho, tem que ser. E um novo há-de nascer. E voltaremo...

Onde estás?

Entristece-me a tua ausência. Pode parecer uma dor pequenina que no passar dos meus dias se dissolveria com a vida, mas não é. É uma dor gigante do tamanho do que te suporta. Perdi-te. Quando foi que te perdi? Não sei o dia nem a hora. Há dias pareceu-me ver-te ao longe, camuflada na noite, mas era apenas um vislumbre de ti. Não eras tu no teu todo. Partiste sem avisar, perdida na penumbra dos dias mais cinzentos. Tive medo. Tenho medo. É assustadora a tua ausência na minha vida, nas nossas vidas. E os dias vão passando e as pessoas vão-se esquecendo de ti, da tua existência. Oh, que saudades dos teus sorrisos, dos teus abraços, das tuas mãos e das tuas palavras doces. Fizeste-me acreditar que era possível mudar o mundo. Sim, teríamos um mundo melhor. E eu lutei ao teu lado no entusiasmo da juventude… mas tu… de mansinho desapareceste. Sei que muitos, como eu, sonham encontrar-te nos dias, nas horas. Mas perdeste-te. E talvez não saibas o caminho para casa. O caminho para o c...

saudades

Tenho saudades daquela voz. Era uma voz suave mas forte, que alimentava a esperança, mesmo na aspereza das palavras. Há vozes que nos marcam. Há vozes que queremos continuar a ouvir, mesmo depois de se terem calado. Recordo-a. Terna e confiante. Algumas vozes trazem a força consigo. Aquela era uma dessas vozes. Perco-a agora no tempo, anseio por ouvi-la, mas não posso. Já vos aconteceu? Estarem num lugar e faltar lá uma voz. Há vozes que não queremos calar. Desejamos que continuem a inundar o nosso dia, a nossa vida. Mas algumas calam-se. E na nossa mente não as conseguimos ouvir, mesmo que instantaneamente sejamos ludibriados pelo próprio anseio. Há vozes que não esquecemos, que seríamos capazes de reconhecer em qualquer parte do mundo, no meio de uma multidão. A voz da nossa mãe, dos nossos filhos, dos marido e esposas, dos pais e avós, dos amigos. Até algumas vozes que ouvimos diariamente na televisão se tornam parte integrante da nossa playlist de vozes. E depois há vozes q...

Sinto-te fugir-me entre os dedos

Sinto-te fugir-me entre os dedos como se  a leve brisa te levasse E eu não mais escutasse Os teus segredos Escondes os teus olhos sob o pranto Que teima em cair-te no rosto E eu, com o meu sorriso posto Que me reveste como um manto, Canto cantigas de embalar Como se a tua dor pudesse diminuir Como se dela pudéssemos fugir Para um qualquer infinito lugar Lugar de tempo sem fim Em que possa amar sem hora Um lugar em que a esperança mora E tu não possas viver sem mim Até a lua, quem sabe, Até ao som, como seria? Até ao infinito e mais além… E já não o sabe ninguém ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixbay

Ode ao chocolate

Devoro chocolate como se fossem amendoins O peso da consciência aloja-se entre os tecidos que humedecidos por tal iguaria ficam moles, quem diria? Aquela textura sedosa e crocante, que me faz sentir um viajante de malas aviadas mas vigilante Não vá para outra boca se tornar migrante O prazer está nomeado para os melhores Como a culpa para os piores Mas no meio de tanta desigualdade Fica-me a alegria da sua lealdade. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixbay

Há dias assim... de empacotar sonhos.

Há dias que não queremos que cheguem. Mesmo sabendo que deles não podemos fugir, lutamos com as forças que nos restam para adiar ou mesmo anular a sua existência. Mudar o rumo, dar novo sentido ao sentido da vida, continuar a perseguir um sonho que nos escorrega das mãos. O dia acordou solarengo e deixei todas as tarefas que sabia não mais poder adiar para o fim do dia. Andei ocupada em missões que me mantinham afastada daquele canto do qual queria fugir. Passava e desviava o olhar. Mas tudo estava lá. Com o cair da noite também o coração começou a escurecer, a alma perdeu a sua cor e o corpo executava maquinalmente as tarefas a que estava obrigado. Hoje foi o dia. As minhas mãos, braços e pernas trabalhavam o mais rapidamente possível para que os olhos nem vissem o que estava acontecer, na tentativa de esconder do coração, para que não sentisse. Mas de nada adiantou. Chorei cada peça, cada empreitada das minhas mãos eram uma lança que me trespassava a alma. Mas tem mesmo que se...
Os teus olhos estão cansados, tristes e desanimados, de tal forma que quase escondem o brilho que de ti emana. Estás quieta e sossegada, queres estar só, no abraço que te conforta. Sentes a dor, sentes o amor. Olham para ti olhos sem fim, mais do que os que podes imaginar. Lembras-te das estrelas do céu? São assim os olhos que te olham, com amor. Sem te conhecer amam-te, gostam de ti e abraçam-te. Têm fé, esperança, confiança. E acreditam. Um dia ouvirás falar deles e saberás! Os teus olhos têm um brilho. Eu vejo-o. Todos o veem. E como numa gruta escura, todos corremos, contigo, para a luz que lá ao fundo se deixa ver. Estás num ninho de amor. Coberta de sonhos. Na tua almofada a confiança. E… o amor tudo pode. ---- Texto: Susana Silva Imagem: pixbay

Escrevo

Escrevo porque preciso. Há dias em que uma estranha ansiedade toma conta de mim, como hoje. Há personagens a vaguear na minha cabeça, mil histórias a surgir, e o pequeno caderno que transporto não as consegue conter. Preciso de escrever, para espantar esta angústia que assola o meu ser e me impede de viver. Preciso de dar vida a outros que povoam o meu imaginário. Preciso de escrever a toda a velocidade, ferozmente, como se tudo dependesse das palavras vãs que o meu cérebro de dita… Até que… esgotada, sinto-me novamente a viver. Os outros, esses, podem finalmente adormecer. E eu… bem, eu preciso de escrever. ---- Foto: pixabay Texto: Susana Silva

Amei-te antes de te conhecer

Já tinha lido sobre isso, parece que Deus nos amou antes de nos conhecer. Como seria tal possível?!! Pois… sei-o agora. Amei-te antes de te conhecer. Um amor imenso que me arrebatava o peito, me retirava a respiração. A ânsia de te conhecer. O desalento da tua ausência faziam-me ansiar pela tua presença. Sentir-te, beijar-te, abraçar-te, falar-te ao ouvido e enxugar as tuas lágrimas. Amei cada célula do teu corpo antes de te conhecer, antes de te saber, antes de existires. Não te conhecia a cor dos olhos, nem o som da tua voz, mas amava-te. Chorei por ti, antes de teres a capacidade de chorar. Chorei de dor pela tua ausência e… como tardavas. Cada segundo sem ti era um espaço de dor. Mas sabia que chegarias. E chegaste. Agora, amo-te cada vez mais. Como se fosse possível aumentar um infinito amor. ---- Texto: Susana Silva Imagem:  Pixabay

Água fervente

Li há dias uma história que  rezava mais ou menos assim: Certo dia, uma rapariga foi ter com a sua avó muito triste e revoltada com algumas situações da sua vida. A avó ouviu-a atentamente. Sem nada dizer dirigiu-se à cozinha, e a neta seguiu-a. Colocou três panelas de água a ferver, numa colocou cenouras, noutra ovo e noutra café. Ao fim de vinte minutos desligou o lume. Deu a cenoura à neta e disse-lhe para ela tocar e sentir a cenoura. Ela sentiu que a cenoura estava mais macia do que antes de ferver. Fez o mesmo em relação ao ovo e a neta notou que estava mais duro, depois de ferver. Quanto ao café exalava um aroma magnífico e tinha deixado o seu sabor na água. Tal como nas adversidades da vida, a água tinha amolecido uns, tornado mais duros outros  e sido alterada por outros. No final a avô perguntava qual dos ingredientes a neta preferia ser, para lidar com a água fervente da sua vida no momento. Fiquei a pensar no assunto. De facto há situações na nossa vi...