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Mensagens

O Manel é feliz, contra tudo o que se diz (conto)

O Manel era um rapaz bem parecido e empenhado na vida, sempre disponível para os outros, assobiava ao descer a ladeira, fazendo-se anunciar. OS bons dias eram misturados com um honesto sorriso e todos gostavam do Manel. - Oh Manel, tens de ir trabalhar, tens de pensar no teu futuro. O Manel estava mais preocupado com o seu presente. Terminado o seu percurso escolar iniciava agora o seu percurso pessoal e humanitário. Ninguém reparava, mas o Manel era feliz, tinha o essencial e nada mais, crescia como homem a cada dia e trabalhava interiormente o seu futuro. Mas, finalmente, chegou a hora, o Manel arranjou um emprego, era contabilista numa empresa lá da aldeia. - Oh Manel, finalmente, muitos parabéns. - diziam-lhe os transeuntes - Mas olha que aquilo é fábrica pequena, tu mereces e consegues mais. Mas o Manel era feliz na fábrica pequena, e por lá continuou a crescer como homem, e a aprender como profissional. E chegou o dia em que o patrão, muito satisfeito com o desempenho do Mane...

E assim vamos andando

E assim vamos andando. Nem bem nem mal. Criticamos a vizinha que engordou 3 kg e a outra que emagreceu e está esquelética, Aquela que só tem um filho e a que comete a loucura de ter três, O que é rico porque é ganancioso e o pobre pois é malandro, O que comprou um T2 e o que comprou uma mansão que nem vai ter como pagar, A que se maquilha e a que anda sempre de cara lavada, que tristeza, A que compra muita roupa e leva o orçamento à ruína e a sovina que anda sempre com a mesma fatiota, A que ficou em casa a tomar conta dos pais e a que os vai buscar ao fim de semana ao lar, Os que casaram pela igreja, que coisa démodé, e os que se casam pelo civil, para quê o papel? Criticamos o programa da Cristina, do Goucha e os telejornais, os programas da tarde e os do fim de semana, as telenovelas, que miséria criativa, O Conan e os tontos que nele votaram, o bailarino que não dança nada, bem sabemos, todos andamos no conservatório. Professores e enfermeiros, os que lutam e os que n...

dia da mulher

Tatiana liga para o restaurante, o mesmo onde jantou no dia 14 de fevereiro com o namorado, a confirmar o número total de pessoas. - São 9 pessoas. E já agora posso já reservar mesa para três para o dia do pai? Era já hora de sair do trabalho e Tatiana segue para o cabeleireiro onde tinha já marcação. Aproveitou para retocar as unhas e foi para casa para se arranjar, gostava de ser uma boa anfitriã e, por isso, queria ser a primeira a chegar ao restaurante. Vestiu um vestido justo  em lantejoulas num degradé de tons rosa que comprara especificamente para a ocasião.  Maquilhou-se e olhou-se ao espelho poderosa, pronta para comemorar o dia da mulher. Foi, como era o seu desejo, a primeira a chegar ao restaurante e conduzida à sua mesa, no meio de tanta outras. Rapidamente pode partilhar o seu entusiasmo com a chegada da Luísa. Logo depois chegaram a Ana, a Júlia e a Vera juntando-se-lhes a Marta e a Célia. Ficavam a faltar a Telma e Raquel. Sentaram-se à mesa na expec...

Assim são os sonhos

Como a semente enterrada na terra assim são os sonhos abandonados. Esperam a chuva que lhes amoleça o tegumento e o sol que os faça brotar. Encerram em si todas as capacidades do mundo e a verdade de quem os possui. Até o mais pequeno sonho é capaz de romper montanhas, tal como a erva que cresce no seio da rocha e lá, onde mais nenhuma se atreveu, brota de vida e prepara caminho para novas vidas. A grandiosidade da concretização não se pode medir pelo tamanho da semente. Todos temos sonhos grão de mostarda que, se lhes permitirmos nascer e fizermos crescer, serão árvores grandiosas à sombra das quais acolheremos comovidos a brisa da vida. Tal como a vida encontra sempre o seu caminho, os sonhos encontram sempre a sua vida, aquela que se faz caminho. Acredita disponível. Espera com fé. Faz acontecer o sonho. ------ Texto- Susana Silva Imagem- Pixabay

O tempo

O tempo. Esse é o maior culpado. Diz que não existe, que ninguém o tem, quando todos o possuem e  marcam. Dizia a vizinha de ao pé da fonte que a Micas esqueceu o abraço porque não teve tempo, morreu assim a avó, sem abraço quando o seu tempo acabou. O tempo passa em passos desconcertantes com a nossa vontade. Não se pode parar, mas acelera quando não o queremos afrouxar. E neste passo de corrida grava-nos na memória aquilo que de melhor o tempo deixou. O tempo que estive contigo.  Insatisfeitos com o tempo gritamos para que volte para trás e rogamos para que ande para a frente. Descontentes com o tempo que temos no agora. Oh tempo desgraçado, que fazes as palavras não saírem e prendes os braços para os abraços, amarras pernas para não irem e mãos para não fazerem, cerras os lábios para não sorrirem e franzes as sobrancelhas para não te perceberem. Tens costas largas, ó tempo. E na noite escura em que não falta o tempo, descobrimos que sempre tivemos o tempo necessário, ma...

Não é coragem é amor

Ela seguia de olhos fechados e sorriso no rosto espelhando uma imensa gratidão por aquilo que para os outros era mais um problema e para ela era só amor. Aprendera a jogar as fichas todas na vida. Ainda pestanejava, duvidava, fraquejava, mas apostava e confiava. Entregava-se de olhos fechados aquilo que a vida lhe tinha trazido desde que viesse por amor. Sabia que era a única coisa que lhe restava. Ao longo da vida colecionara um emprego que não o era e um saco de desilusões, guardava uma mão cheia de sonhos e a outra de parcos amigos que tudo lhe valiam. Aprendera a correr atrás dos sonhos até que lhe faltasse o ar e a deixar ir tudo o que exigisse umas  corridas desenfreadas sem sentido. Se tivesse que correr que fosse por amor. Resolvia o turbilhão da vida no silêncio, muitas vezes solitário, com serenidade e lágrimas à mistura. Orava e os pequenos grandes milagres aconteciam, nem sempre à sua maneira, mas à maneira da vida em quem aprendera a confiar em vez de exigir. Aos que...

Microconto

                                               

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